sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Perdeu-se um avião em África e o planisfério na SIC




Preparava-me para mais um jantar na companhia dos noticiários televisivos quando dei conta de um erro algo grosseiro no espaço informativo da SIC.

Passavam poucos segundos do início da emissão em direto e Clara de Sousa alertava para uma noticia de última hora, dando conta do desaparecimento de um avião pertencente às Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) destinado a Luanda. Até aqui tudo normal, mas heis que é lançada uma infografia com o mapa de Angola, supostamente para explicar a rota que o voo deveria ter seguido antes de desaparecer. No mapa, Maputo, capital de Moçambique, aparecia a norte de Luanda, capital de Angola, como se fosse uma cidade angolana.Eu, que não sou o supra-sumo da geografia, detetei de imediato o erro. 

Não aponto o dedo ao/a responsável pelo grafismo por não saber onde fica Maputo, mas sim por não saber que Maputo não é em Angola e que o Google Maps existe para ser consultado. Será que para além dos mapas da Internet não haverá por lá um planisfério? Talvez se tenha perdido, tal como o avião moçambicano. 

Dezassete minutos depois a errata que faltava. Após outras peças, a pivô volta a lançar a notícia e uma nova infografia surge na tela. Desta vez não só com a rota estipulada para o voo, corretamente representada, como ainda como uma segunda linha, a vermelho, com a possível localização do avião TM470. Espero, para bem dos passageiros, que tenha mesmo aterrado na Namíbia e que tudo tenha corrido pelo melhor. 

Para bem da SIC, espero que encontrem o planisfério perdido algures em Carnaxide.




quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Absolution: Dez anos depois, a voz dos fãs e outros presságios

Absolution(2003) é o álbum favorito dos fãs da banda de Matt Bellamy

A música é uma arte carregada de valores subjectivos, ainda que pautada por "matemáticas" e uma linguagem muito própria. Mais do que "solfejos" e métricas há que saber que a música é feita por seres humanos, muitas vezes influenciados pelas exigências do mercado, problemas pessoais, mudanças de opinião e amadurecimento.

Acontece que o público nem sempre está disponível para interpretar o produto final à luz de todas as condicionantes, procurando apenas que o som lhe desperte emoções. É justamente por isso que todos nós já tivemos desilusões com álbuns, singles e até mesmo fases das nossas bandas ou artistas favoritos. Aconteceu-me várias vezes ao longo da minha vida. Uma das últimas com os Muse.

O trio de Devon em estúdio

A banda britânica que me habituou à sua irreverência, elegância e rasgos de "progrock", dos primeiros dezasseis anos de existência, começou a deixar-me algo confuso com alguns dos temas de Resistance (2009). Por essa altura as malhas tipicamente sinfónicas, com delírios de distorção e coros de arrepiar qualquer ser mais frígido, começaram a diluir-se entre registos mais "pop-rock" e "opereta".

A bomba rebenta na minha cabeça quando sai The 2nd Law(2012), um álbum que em nada me despertou  as emoções que senti ao escutar os anteriores. As mudanças somam-se e talvez eu não estivesse inteiramente preparado para elas. O disco divide-se entre sinfonias, interlúdio, sintetizadores a mais, muita técnica, pouco feeling e principalmente pouco rock. O que abonou a favor da banda foi o facto de The 2nd Law  também albergar, nos temas chave, solos à Braian May e a "batida" pop necessária para agradar às massas, vender cópias e arrancar em tournée por esse mundo fora.

De facto, se Resistance conseguiu o feito de agradar a gregos e a troianos, este já deixa uma das partes de fora. Bom seria que esta fosse só uma fase, e perdoem-me os fãs "destes" Muse, mas a questão aqui é muito simples: Serei o único achar isso? 

O site da especialidade Gigwise quis meter o dedo na ferida e perguntou aos fãs da banda de Matt Bellamy qual teria sido, para eles, o melhor álbum de sempre feito pelos Muse. Os dados são esclarecedores, visto que Absolution (2003) foi considerado o melhor longa duração da banda. O que confirma que, dez anos depois, este álbum ainda desperta as mesmas paixões de outrora. Sim, já passaram dez anos e  continua a causar Hysteria a quem o ouve. Uma obra prima que ousou unir o rock, a eletrónica e a clássica às temáticas sociais fortemente inspiradas na guerra do Iraque. Um clássico da última década.

Acho que este "primeiro lugar" já respondia à minha questão, mas ainda assim, convém acrescentar que segundo o artigo, nenhum dos álbuns do "top 3" é Resistance ou The 2nd Law, o que confirma exemplarmente que eu não sou o único "a olhar o céu".

Entretanto Matt Bellamy confessou esta semana que nos dois últimos álbuns a banda se concentrou mais "nos sintetizadores e coisas eletrónicas" e que no próximo álbum, "vai voltar a concentrar-se nos instrumentos dos próprios elementos: guitarra, baixo e bateria". O frontman acrescentou ainda que o próximo registo não será lançado no ano do 20º aniversário mas em 2015 e que vai ser "mais cru e definitivamente mais rock" que o anterior.

Será que a votação, o artigo e a declaração podem ser um presságio de que os velhos tempos dos Muse vão voltar? 

Esperemos para ver, enquanto ouvimos clássicos como este...


Butterflies & Hurricanes - Absolution 

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Vejam só: Policias contra policias: vinte e quatro anos depois

Palácio de São Bento, Lisboa, 21 de novembro de 2013. Agentes de segurança manifestam-se contra os cortes sucessivos e as medidas sociais impostas pelo governo PSD/CDS.

Normalíssimo seria o final de tarde, e principio de noite, caso a história o quisesse. Digo normalíssimo, pois praticamente todas as semanas assistimos a protestos, de várias naturezas, pelas ruas deste nosso retângulo, irregular, à beira-mar plantado.

Acontece que às 20h20 os policias (manifestantes) varreram as barreiras impostas pelos policias (em serviço) e conquistaram metros ao escadario do palácio de São Bento. Gritavam "invasão". 

No meu ver se os manifestantes não fossem policias, não teriam chegado praticamente às portas da Assembleia. Acho portanto que se aplicou, neste caso, a máxima do "amigo não empata amigo", visto que os "fardados" também tinham razões mais do que óbvias para estarem do lado dos "desfardados".

No entanto há que relacionar este acontecimento com um outro que ocorreu há 24 anos, também em Lisboa, e que ficará para sempre marcado como o protesto dos "Secos e Molhados". Esta quinta, como em abril de 1989, os policias foram verdadeiramente obrigados a estar "contra" outros policias. Na época parte da gravação audio do protesto até foi usada num tema dos "Golpe de Estado", uma banda portuguesa dos anos 80, mas isso já é outra história...

20h20 - Manifestantes das forças de segurança gritam "invasão" enquanto vão "varrendo" as barreiras de segurança em São Bento. (Crédito - TVI24)

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Vejam só: Ronaldo "O Descobridor"


Solna, Suécia, 19 de Novembro de 2013.  Portugal volta a fazer história, não só por conseguir marcar presença no mundial de futebol no Brasil, mas também porque Cristiano Ronaldo igualou Pedro Pauleta como melhor marcador de sempre da seleção portuguesa, graças a um hat-trick de luxo. 

Passados 5 séculos voltaremos a descobrir o Brasil, numa altura em que os filhos de D. Pedro vivem momentos de maior fulgor tanto a nível económico como a nível futebolístico.

O video que vos partilho abaixo não mostra os cinco golos da partida, mas sim o relato sentido dos três golos do madeirense, que para mim, contra tudo e contra muitos é o melhor do mundo. O que vão ouvir só pode ser escutado em jogos da seleção, pois só nestes todo o país grita em uníssono. Grande trabalho da Antena1.
  
Mas a euforia do radialista e a esperança de festejos ao som do velho e bom samba, não nos podem cegar. Em noite de inspiração para o nosso capitão, vi um Patricio, mais uma vez, pouco seguro nas bolas paradas e na construção de barreiras, um Nani perdulário, cinzento e mais uma vez a falta de um matador, de um 9 puro, com talento. Afinal todos sabemos que Ronaldo não é ponta-de-lança, certo?  

Temo que esta seleção não consiga acompanhar o talento, a experiência e sobretudo a "super-forma" de CR, visto que nos últimos anos as fornadas de jogadores não têm saído com o mesmo primor das gerações de ouro do passado. Será que vamos passar pelas agruras dos anos 80? Até ao próximo verão veremos o que acontece. De um coisa estou certo: Paulo Bento terá de por toda a sua inteligência em prática para fazer "omeletes sem ovos". 

Pelo menos já temos o Ronaldo que os merengues vêm jogar todas as semanas nos relvados espanhóis.



Cliquem para ouvir a "alma" da Rádio: