quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Absolution: Dez anos depois, a voz dos fãs e outros presságios

Absolution(2003) é o álbum favorito dos fãs da banda de Matt Bellamy

A música é uma arte carregada de valores subjectivos, ainda que pautada por "matemáticas" e uma linguagem muito própria. Mais do que "solfejos" e métricas há que saber que a música é feita por seres humanos, muitas vezes influenciados pelas exigências do mercado, problemas pessoais, mudanças de opinião e amadurecimento.

Acontece que o público nem sempre está disponível para interpretar o produto final à luz de todas as condicionantes, procurando apenas que o som lhe desperte emoções. É justamente por isso que todos nós já tivemos desilusões com álbuns, singles e até mesmo fases das nossas bandas ou artistas favoritos. Aconteceu-me várias vezes ao longo da minha vida. Uma das últimas com os Muse.

O trio de Devon em estúdio

A banda britânica que me habituou à sua irreverência, elegância e rasgos de "progrock", dos primeiros dezasseis anos de existência, começou a deixar-me algo confuso com alguns dos temas de Resistance (2009). Por essa altura as malhas tipicamente sinfónicas, com delírios de distorção e coros de arrepiar qualquer ser mais frígido, começaram a diluir-se entre registos mais "pop-rock" e "opereta".

A bomba rebenta na minha cabeça quando sai The 2nd Law(2012), um álbum que em nada me despertou  as emoções que senti ao escutar os anteriores. As mudanças somam-se e talvez eu não estivesse inteiramente preparado para elas. O disco divide-se entre sinfonias, interlúdio, sintetizadores a mais, muita técnica, pouco feeling e principalmente pouco rock. O que abonou a favor da banda foi o facto de The 2nd Law  também albergar, nos temas chave, solos à Braian May e a "batida" pop necessária para agradar às massas, vender cópias e arrancar em tournée por esse mundo fora.

De facto, se Resistance conseguiu o feito de agradar a gregos e a troianos, este já deixa uma das partes de fora. Bom seria que esta fosse só uma fase, e perdoem-me os fãs "destes" Muse, mas a questão aqui é muito simples: Serei o único achar isso? 

O site da especialidade Gigwise quis meter o dedo na ferida e perguntou aos fãs da banda de Matt Bellamy qual teria sido, para eles, o melhor álbum de sempre feito pelos Muse. Os dados são esclarecedores, visto que Absolution (2003) foi considerado o melhor longa duração da banda. O que confirma que, dez anos depois, este álbum ainda desperta as mesmas paixões de outrora. Sim, já passaram dez anos e  continua a causar Hysteria a quem o ouve. Uma obra prima que ousou unir o rock, a eletrónica e a clássica às temáticas sociais fortemente inspiradas na guerra do Iraque. Um clássico da última década.

Acho que este "primeiro lugar" já respondia à minha questão, mas ainda assim, convém acrescentar que segundo o artigo, nenhum dos álbuns do "top 3" é Resistance ou The 2nd Law, o que confirma exemplarmente que eu não sou o único "a olhar o céu".

Entretanto Matt Bellamy confessou esta semana que nos dois últimos álbuns a banda se concentrou mais "nos sintetizadores e coisas eletrónicas" e que no próximo álbum, "vai voltar a concentrar-se nos instrumentos dos próprios elementos: guitarra, baixo e bateria". O frontman acrescentou ainda que o próximo registo não será lançado no ano do 20º aniversário mas em 2015 e que vai ser "mais cru e definitivamente mais rock" que o anterior.

Será que a votação, o artigo e a declaração podem ser um presságio de que os velhos tempos dos Muse vão voltar? 

Esperemos para ver, enquanto ouvimos clássicos como este...


Butterflies & Hurricanes - Absolution 

2 comentários:

  1. Já não ouvia Muse há algum tempo. Trás-me boas memorias

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  2. Sim Nuno, é sempre bom recordar o que a música nos trouxe de bom.

    Obrigado pela atenção, vai estando atento, partilha e segue a página do Cromó no Facebook.
    Bem haja.

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