sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

POP POPE

Acho que não passou despercebida a praticamente ninguém a capa deste mês da mítica revista Rolling Stone. Já passaram por lá todos os tipos de agentes culturais, na sua maioria músicos, mas eis que em fevereiro de 2014 a redação ousa arriscar a imagem de um sumo pontífice.


O afamado Papa Francisco já tinha atingido o ponto máximo da vida de um católico apostólico romano, tinha conquistado fieis e alguns não fieis, mas agora tornou-se uma figura POP. Atrevo-me a dizê-lo porque apesar do argentino Jorge Mario Bergolio não ser um artista/ interprete/ super estrela, sabe como utilizar a sua posição social dentro da Igreja para exercer um poder de influência politica.

Desde acarinhar crianças, pessoas portadoras de deficiência, rejeitar os luxos dos típicos sapatos Prada vermelhos ou das vestes oponentes, Francisco está a chocar as massas. Isso é POP.

A "raça" e "las ganas" da América Latina estão a ajudá-lo a querer gerir do modo mais humano as contas do Vaticano e a impor a igualdade entre classes e o fim do flagelo da pedofilia, que afastou inúmeros fieis dos bancos de igreja. Está a reordenar a História, pretendendo acabar, vários séculos depois, com a idade média no catolicismo.

Lembra-me João Paulo II, pelo olhar doce, expressão experiente, e o "estar" comum de um avô. Mas tem mais força, e é essa que alimenta a esperança, ou se quiserem a fé, de que o Homem, o mundo desenvolvido, cada vez mais consumista, e a ideia de Deus, certa para uns, incrédula para outros, possam voltar a reunir-se. Veremos o que este "Mario" faz por "Nós".

domingo, 26 de janeiro de 2014

Rádio Move: Episódio 21

Como a maioria já sabe todos os domingos assino, ao lado do José Rui Rosário e da Rita Sedas, um programa na RDS que fala da música feita na Margem sul do Tejo. O Rádio Move é um programa produzido por nós, com o selo do Movimento Seixal Musical (ver aqui), e que conta com o alto apoio da vulgarmente chamada "Rádio Seixal" (ver aqui).

A partir desta edição número 21 vou começar a publicar aqui os Podcasts do programa. Vão estar disponíveis apenas duas semanas na plataforma online PodOmatic, mas podem fazer o download dos mesmos e assim prolongar as audições para além deste período.

O programa desta semana contou com a presença do Vítor Paulo, um músico com tradição no Seixal e que já conta com 40 anos de carreira no "B.I. Musical". Espero que gostem e sigam este trabalho que tem muito suor empregue e que está a melhorar a cada semana. Todos os domingos das 16h00 às 17h00 em 87.6.

Para ouvir cliquem na imagem:


Vejam só: Originalidade de D8


Deixo o repto: Não sou propriamente um fã de HIP HOP, mas defendo sempre a originalidade dos interpretes. Numa altura em que os programas de talentos  só nos habituam a ouvir versões, há quem tente revolucionar o processo. D8 não é um prodígio da música, mas é o exemplo a seguir, não acham?

sábado, 25 de janeiro de 2014

No cromment: Já foi há dez anos


25 de Janeiro de 2004. Tinha 12 anos quando o vi partir no auge da sua jovem vida. Marcou-me pela espectacularidade das imagens da queda em campo e pelo facto dos atletas, tantas vezes vistos como máquinas perfeitas, também cederem à gélida mão da morte.

domingo, 19 de janeiro de 2014

Especial Pedaços: Da Condição Humana (Ary dos Santos)

Foto/ Edição: Cromóficina

Fez no último Sábado 30 anos que José carlos Ary dos Santos disse adeus à vida. Um Deus dos poemas, um lutador de causas (dadas como) perdidas, um anti-fascista, um mestre que me inspira desde tenra idade.Um criador. 

Já aqui, no cromó, tinha referido a importância dos seus escritos em momentos da minha vida.(ler mais)

Poeta do povo, escreveu  "Lisboa menina e moça", "Tourada", "Desfolhada Portuguesa", "Os putos", temas que fazem parte de todos nós e que nos servem de espelho. Imortal a obra, imortal o seu nome.

Perante tudo isto não tinha como celebrá-lo de outra forma se não através da sua magnifica obra. Decidi por isso idealizar um "pedaço" diferente. É bem possível que venha a ser o vosso favorito, pois, grafismos à parte, nunca nenhum teve um excerto tão bom. 

Longa vida a Ary e sua obra!

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Matic: A injustiça dos milhões


Sei que ultimamente tenho escrito muito sobre futebol. Não quero focar-me só nesse universo, mas não pude ficar indiferente aos últimos acontecimentos. Depois da morte de Eusébio, da bola d'ouro de Ronaldo e da facciosa gala da FIFA eis que surge o regresso de Matic ao Chelsea.

Se há quem diga que o futebol é movido por emoções fortes, eu digo-vos que assim gostaria que fosse, mas não é. No fundo o que move este desporto não são os "wooooow" e os "goooolo", mas sim os milhões. A "pasta" dos grandes magnatas e das marcas que por acaso também são clubes.

Recuemos até 2009, Nemanja Matic, jovem sérvio, era transferido da modesta liga eslovaca para o milionário Chelsea, que já sem Mourinho procurava manter o nível exibicional de anos anteriores. Não se conseguiu afirmar, participou em poucos jogos e acabou por ser "despachado" por empréstimo para a Holanda. Um ano depois foi vendido ao Benfica, no meio de um negócio "da China" que envolvia a transferência de David Luiz para os blues.


Na Luz, veio a ocupar o lugar deixado por Javi García. Não fez esquecer o espanhol, mas fez com que os adeptos não sentissem saudades dele. No espaço de um ano tornou-se o melhor jogador a alinhar na liga portuguesa e um dos melhores médios centro da Europa. Tudo graças ao seu talento, ao regresso à competição e à "mão de Jesus". Apesar do treinador português não ter dado grandes títulos aos adeptos, brindou-os quase sempre com a sua "nota artística" e com autênticas omeletes sem ovos. Dessas omeletes saíram, ainda, nomes como Di Maria, Witsel, Ramires ou Fábio Coentrão.

Parece injusto que o homem que ajuda a moldar "estrelas" as perca, normalmente, no ano seguinte, mas o negócio dos milhões é mesmo assim. Para Vieira, e para os cofres do clube, interessa o lucro de 20 milhões, resultante da subtração dos 5 milhões pagos ao Chelsea em 2011. Para Jesus, a perda de mais uma peça do seu tabuleiro de jogo. «Se tivesse mantido todos os jogadores que tive desde que cheguei era campeão europeu». Afirmou o treinador do Benfica no final do jogo com o Porto, no último Domingo. Afirmou bem.

Num futuro próximo gostaria que a nossa pequena liga podesse segurar os "Hulkes" e os "Matic's" da vida. Sempre gostava de ver onde é que os colossos europeus iam buscar as estrelas. Ronaldo veio do Sporting, lembram-se? Como seria ter o melhor do mundo a jogar em Portugal?


Fiquem com um dos melhores golos de 2013, 
que deu a Matic o segundo do lugar no prémio Fuskas:


terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Gala da Bola d'Ouro: Muito Pelé, pouco Eusébio

Mais um ano passou no mundo do futebol. Desta vez aquele que parecia ser o eterno pódio foi mesmo considerado o melhor. É a segunda das vezes que Ronaldo toca o céu por segundos. Como, aliás, costuma acontecer cada vez que cabeceia uma bola a mais de três metros do solo.


Ribéry conquistou tudo o que havia para conquistar, é talvez uma injustiça mais do que justa o terceiro lugar que obteve. A antítese explica o fenómeno dos dois mortais, seus opositores, que constantemente contrariam a condição humana. A história agradece a  genialidade de Ronaldo e Messi, o francês lamenta o facto. Nascesse ele noutra geração e o troféu dourado seria dele.

Talvez o bom senso colocaria Messi, que só fez meia época, atrás do internacional gaulês, mas aí estaria a dar prémios de consolação, que para o guerreiro francês soariam a pouco. Nada pode substituir o primeiro, o rei dos reis.

Desta feita o rei foi Ronaldo, o maior goleador, o mais trabalhador, o mais atlético, o mais veloz, o mais furioso, o mais forte. Messi é apenas o mais talentoso, o génio de rua criado em laboratório pelos problemas de crescimento que enfrentou na infância. Já todos o entenderam menos Blater, que não só deveria ler este post, como também deveria perceber que as lágrimas de Ronaldo não são de um "general" frio e mecânico, mas de um "bom menino" que qualquer pai gostaria de ter como filho.


Mas nem só de "bola" viveu a gala. As politiquices somaram-se ao longo da emissão, desde a atribuição do prémio FairPlay ao Afeganistão, até à bajulação da figura de Pelé. O primeiro facto justificado pela suposta importância que o futebol tem para a paz no país, o segundo, apenas porque Pelé é Pelé. Dizem alguns, o melhor de sempre, outros apenas o mais elogiado de sempre.

Não nego a importância que o brasileiro teve para a história do futebol mas uma semana depois da morte de Eusébio da Silva Ferreira não é um pouco estranho a FIFA dar prémios honorários ao ex- internacional brasileiro e apenas 30 segundos de "videozinho" ao desaparecido avançado português? Parece que para os que gerem o futebol mundial o "King" é Pelé e Eusébio foi ali tratado abaixo de Ribéry.


Acho que só continuo a ver futebol pelo amor que tenho ao "jogo da bola e das duas balizas", porque caso contrário a desilusão já se teria apoderado do querer e do crer. Já não restam dúvidas de que a neblina é tanta que só não turva a visão aos mais atentos.


Gostaria ainda de deixar aqui o video de homenagem a Ronaldo que a RTP editou. O texto é magnifico.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Eusébio: Estátua e homenagens estão a ser cobertas

Nesta quinta-feira desloquei-me até às imediações do Estádio da Luz para deixar a minha última homenagem a Eusébio da Silva Ferreira. "Levei-lhe" um dos primeiros cachecois que me ofereceram em criança e um pedaço de cartão A3 com a frase que lhe dediquei no último "Pedaço" (aqui). 

Já tinha visto em casa, durante a tarde, artigos que remetiam para as obras de "urgência", que o Benfica convocara. A ideia é construir um memorial em honra do "Pantera Negra", cobrindo, com uma estrutura feita de raiz, a estátua e os objetos lá colocados pelos milhares de fãs. 

No local pude presenciar algumas das operações de implementação da infraestrutura, criada para o efeito, assim como captar fotos e fazer algumas perguntas aos elementos de segurança que ali se encontravam. Há que dizer que fui muito bem recebido.
Coloquei as lembranças que trazia numa das caixas brancas disponibilizadas pelo clube, tendo-me sido dito que seriam depois colocadas junto à estátua quando a estrutura estivesse pronta.


Em relação à obra, trata-se de uma estrutura circular translucida, cujo esqueleto metálico é composto por 14 pilares e uma cúpula.Segundo um dos seguranças, no local, o material usado para o revestimento « não será acrílico como se dizia por aí, mas sim um vidro especial com cerca de 8 cm de espessura».

Diz-se que esta estrutura só estará de pé até janeiro de 2015, data em que termina o ano de luto decretado pelo clube da Luz. Na minha opinião, não seria de chocar se ela se mantivesse assim, mas compreendo qualquer uma das interpretações que se dêem a este ato. Ainda para mais quando já circulam por aí muitos  "hater's" do espaço cibernético que não concordam com esta construção.

Acho que o importante é homenagear mais uma vez Eusébio, que teve a sorte de ter sido premiado em vida pelos feitos que ofereceu a Portugal. O resto é apenas gente com tempo a mais...

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Vejam só: A TVI e o "SDFDGDFGHRT"


Decorriam quase 30 minutos de Jornal das 8, quando José Alberto Carvalho lançou mais uma peça referente ao mau tempo que se tem feito sentir nos últimos dias um pouco por toda a Europa. Eis que surge um lead utilizado em noticias de futebol e que, em vez de informações relativas à peça que estava a ser lançada, tinha apenas inscrito um monte de consoantes. Aliás, perdoem-me a ligeireza, um monte de consoantes que estão muito próximas num comum teclado "qwerty".

É a terceira vez que o cromó detecta, involuntariamente, erros em espaços noticiosos, quer da TVI (aqui) como da SIC (aqui). Este não foi de todo o mais grave, sobretudo quando falamos de um direto, mas há que ter cuidado. Foram apenas alguns segundos, mas em televisão a noção de tempo é muito diferente.

Quanto ao tempo, aconselho o respeito pelos alertas feitos e que se tenha em conta os últimos acontecimentos. Tal como afirmei  no post de ontem (aqui).

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Vejam Só: Mares furiosos, olhares curiosos

O video que decidi postar já foi visto por centenas de pessoas em apenas um dia. Reflete, antes demais, o mau tempo que o nosso país tem sentido de norte a sul na última semana. Já o tinha aqui focado num "No cromment".

São impressionantes as imagens captadas pela câmara amadora na praia da Costa da Caparica, Almada. Mais impressionante é a atitude de quem decidiu gravar e partilhar o momento. Durante o clip podemos escutar os executantes a rirem de uma situação que podia ter custado caro às pessoas que passeavam pela praia.

Sei que a curiosidade do "povo" por vezes é aguçada nestes momentos de perigo, mas o entretenimento perante a "miséria" dos outros é algo que não compreendo. Já o fiz na vida, não sou perfeito, mas cada vez mais evito o impulso comum de regurgitar um "ahahah" quando vejo alguém em apuros. Mais do que não seja uma pequena queda aparatosa em escadas rolantes ou numa estação do metro.

O que acabo por valorizar em tudo isto é que ainda não entendemos, nós Homens da Terra, que devemos respeitar o que não é controlável. Penso que é de uma infantilidade formigante não temer uma aproximação do mar, principalmente nas praias da Costa Azul, semanas depois da tragédia dos seis estudantes que morreram no Meco e do naufrágio que roubou outras seis vidas também na Costa da Caparica.

De resto, também no Porto foram recolhidos momentos idênticos a este, e que foram divulgados pelas televisões nacionais. Outra situação onde vimos transeuntes ignorar um mar revoltoso. Tiveram consequências. Acho que está na altura de nos acautelarmos e de finalmente começar-mos a respeitar a força indomável na natureza.


domingo, 5 de janeiro de 2014

Pedaços: Adeus

Eusébio: O rei morreu



Escolheu o destino roubar-nos Eusébio no quinto dia de 2014. Confesso que não esperava perder um dos maiores símbolos nacionais nesta altura. É certo que a morte nunca é algo completamente calculável, mas o "King" já tinha ultrapassado tantas adversidades e problemas de saúde, que nos foi "iludindo".

Nunca o vi jogar, não é, como diz o povo, "do meu tempo", mas ás vezes parece que o vi tornar-se o melhor do mundo na áurea década de 60, tais são os relatos efusivos que oiço dos mais antigos. Segundo ví em imagens de arquivo, era um verdadeiro "animal de relvado". Rápido, feroz, portentoso, mas também justo, humilde e genuinamente honesto. O "puro herói" português, que, quem sabe, voltou a encontrar Amália.

Nem só no campo deixou um legado, pois a humildade do "Pantera" estendia-se para fora do mítico jogo "da bola e das duas balizas". Eusébio da Silva Ferreira mostrou-nos a todos como as barreiras da cor, dos costumes ou da cultura se podem dissipar. Lorenço Marques, atual Maputo, pertencia na época a Portugal, mas o "Pantera Negra" encontrou na Metrópole uma realidade completamente diferente da qual estava habituado. É, posto isto, um exemplo para todos quantos optam por negar o culto do racismo, da desigualdade e da discriminação, seja no desporto, ou na vida.

Resta-nos guardá-lo dentro das nossas memórias e, quem sabe, festejar futuras vitórias da seleção nacional e do Benfica, por esse mundo fora, e dedicá-las a Eusébio."Clubites à parte", somos todos portugueses e o bom senso a que assistimos, este domingo, junto da estátua do "Pantera" deveria ser uma constante no desporto. Veremos se na próxima semana os cachecóis de Benfica e Porto estarão tão "amigavelmente" juntos. Afinal rivalidade não é sinónimo de agressividade.

Eu pelo menos vou querer que os meus filhos saibam quem foi o grande "King", tentando sempre que o tempo não apague as memórias que dele guardo. A imagem do negro "Ansião" do desporto que sofria pela seleção e pelo seu clube, junto à relva, quase sempre agarrado à castiça toalha branca.


Vejam o video de homenagem que o Benfica fez para Eusébio