terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Gala da Bola d'Ouro: Muito Pelé, pouco Eusébio

Mais um ano passou no mundo do futebol. Desta vez aquele que parecia ser o eterno pódio foi mesmo considerado o melhor. É a segunda das vezes que Ronaldo toca o céu por segundos. Como, aliás, costuma acontecer cada vez que cabeceia uma bola a mais de três metros do solo.


Ribéry conquistou tudo o que havia para conquistar, é talvez uma injustiça mais do que justa o terceiro lugar que obteve. A antítese explica o fenómeno dos dois mortais, seus opositores, que constantemente contrariam a condição humana. A história agradece a  genialidade de Ronaldo e Messi, o francês lamenta o facto. Nascesse ele noutra geração e o troféu dourado seria dele.

Talvez o bom senso colocaria Messi, que só fez meia época, atrás do internacional gaulês, mas aí estaria a dar prémios de consolação, que para o guerreiro francês soariam a pouco. Nada pode substituir o primeiro, o rei dos reis.

Desta feita o rei foi Ronaldo, o maior goleador, o mais trabalhador, o mais atlético, o mais veloz, o mais furioso, o mais forte. Messi é apenas o mais talentoso, o génio de rua criado em laboratório pelos problemas de crescimento que enfrentou na infância. Já todos o entenderam menos Blater, que não só deveria ler este post, como também deveria perceber que as lágrimas de Ronaldo não são de um "general" frio e mecânico, mas de um "bom menino" que qualquer pai gostaria de ter como filho.


Mas nem só de "bola" viveu a gala. As politiquices somaram-se ao longo da emissão, desde a atribuição do prémio FairPlay ao Afeganistão, até à bajulação da figura de Pelé. O primeiro facto justificado pela suposta importância que o futebol tem para a paz no país, o segundo, apenas porque Pelé é Pelé. Dizem alguns, o melhor de sempre, outros apenas o mais elogiado de sempre.

Não nego a importância que o brasileiro teve para a história do futebol mas uma semana depois da morte de Eusébio da Silva Ferreira não é um pouco estranho a FIFA dar prémios honorários ao ex- internacional brasileiro e apenas 30 segundos de "videozinho" ao desaparecido avançado português? Parece que para os que gerem o futebol mundial o "King" é Pelé e Eusébio foi ali tratado abaixo de Ribéry.


Acho que só continuo a ver futebol pelo amor que tenho ao "jogo da bola e das duas balizas", porque caso contrário a desilusão já se teria apoderado do querer e do crer. Já não restam dúvidas de que a neblina é tanta que só não turva a visão aos mais atentos.


Gostaria ainda de deixar aqui o video de homenagem a Ronaldo que a RTP editou. O texto é magnifico.

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