quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Matic: A injustiça dos milhões


Sei que ultimamente tenho escrito muito sobre futebol. Não quero focar-me só nesse universo, mas não pude ficar indiferente aos últimos acontecimentos. Depois da morte de Eusébio, da bola d'ouro de Ronaldo e da facciosa gala da FIFA eis que surge o regresso de Matic ao Chelsea.

Se há quem diga que o futebol é movido por emoções fortes, eu digo-vos que assim gostaria que fosse, mas não é. No fundo o que move este desporto não são os "wooooow" e os "goooolo", mas sim os milhões. A "pasta" dos grandes magnatas e das marcas que por acaso também são clubes.

Recuemos até 2009, Nemanja Matic, jovem sérvio, era transferido da modesta liga eslovaca para o milionário Chelsea, que já sem Mourinho procurava manter o nível exibicional de anos anteriores. Não se conseguiu afirmar, participou em poucos jogos e acabou por ser "despachado" por empréstimo para a Holanda. Um ano depois foi vendido ao Benfica, no meio de um negócio "da China" que envolvia a transferência de David Luiz para os blues.


Na Luz, veio a ocupar o lugar deixado por Javi García. Não fez esquecer o espanhol, mas fez com que os adeptos não sentissem saudades dele. No espaço de um ano tornou-se o melhor jogador a alinhar na liga portuguesa e um dos melhores médios centro da Europa. Tudo graças ao seu talento, ao regresso à competição e à "mão de Jesus". Apesar do treinador português não ter dado grandes títulos aos adeptos, brindou-os quase sempre com a sua "nota artística" e com autênticas omeletes sem ovos. Dessas omeletes saíram, ainda, nomes como Di Maria, Witsel, Ramires ou Fábio Coentrão.

Parece injusto que o homem que ajuda a moldar "estrelas" as perca, normalmente, no ano seguinte, mas o negócio dos milhões é mesmo assim. Para Vieira, e para os cofres do clube, interessa o lucro de 20 milhões, resultante da subtração dos 5 milhões pagos ao Chelsea em 2011. Para Jesus, a perda de mais uma peça do seu tabuleiro de jogo. «Se tivesse mantido todos os jogadores que tive desde que cheguei era campeão europeu». Afirmou o treinador do Benfica no final do jogo com o Porto, no último Domingo. Afirmou bem.

Num futuro próximo gostaria que a nossa pequena liga podesse segurar os "Hulkes" e os "Matic's" da vida. Sempre gostava de ver onde é que os colossos europeus iam buscar as estrelas. Ronaldo veio do Sporting, lembram-se? Como seria ter o melhor do mundo a jogar em Portugal?


Fiquem com um dos melhores golos de 2013, 
que deu a Matic o segundo do lugar no prémio Fuskas:


Sem comentários:

Enviar um comentário